A vida adulta é uma coisa curiosa: às vezes ela é maravilhosa, cheia de pequenas conquistas e momentos que fazem a gente pensar "até que vale a pena pagar boleto". Mas, na maior parte do tempo, ela simplesmente resolve testar a nossa paciência e sanidade mental.
Entre trabalho, responsabilidades, cansaço e a eterna sensação de que o dia deveria ter umas cinco horas a mais, fui deixando esse cantinho de lado.
Mas sobrevivi.
E estou de volta 😇
Só que, em vez de falar sobre livros, séries ou alguma obsessão aleatória da semana, hoje trouxe um assunto um pouco mais melancólico.
Não porque eu esteja sofrendo por amor (podem guardar os lencinhos), mas porque acompanhei de perto o fim de um relacionamento que durou incríveis 19 anos. E isso me fez pensar em uma pergunta que provavelmente todo mundo já fez em algum momento da vida:
Como alguém consegue simplesmente virar a página depois de uma história inteira construída ao lado de outra pessoa?
Foi pensando nisso que nasceu o texto de hoje. Então pega um café, um chá ou um pedaço de bolo e vem refletir comigo sobre amor, despedidas, e as péssimas decisões que às vezes tomamos quando entregamos nosso coração para a pessoa errada.💔
Vocês já terminaram um relacionamento em algum momento da vida, certo?
Agora imaginem um relacionamento longo. Daqueles em que você deposita toda a sua energia, faz de tudo pela pessoa, abre mão de si mesmo, tenta agradar, apoia, incentiva, presenteia e acredita que está construindo um futuro ao lado dela.
E então, quando você pensa que as coisas não poderiam estar melhores... a pessoa simplesmente termina tudo. Do nada.
A justificativa? Você não a satisfaz em nada, não faz as coisas que ela gostaria e ainda não se enturma com as amigas "maravilhosas" dela.
Eu, sinceramente, não entendo. O que exatamente uma pessoa assim procura?
Vocês devem estar se perguntando por que estou falando sobre relacionamentos se nem tenho um.
Bom... uma pessoa muito próxima de mim acabou de terminar um relacionamento de 19 anos.
Isso mesmo: dezenove anos.
Uma vida inteira dedicada a alguém que, olhando de fora, talvez nunca tenha dado o mesmo valor em troca.
Acho que ele estava tão apaixonado que não conseguiu enxergar quem realmente era a pessoa em quem apostou todas as fichas.
No lugar dele, eu me sentiria usada e depois descartada.
Durante 19 anos ele deixou a própria família de lado para atender aos caprichos da princesa 👑, comprava presentes caros, fazia viagens, organizava a vida inteira em função dela. Raramente recebia a mesma dedicação.
Só pra ter noção do tamanho disso: em 19 anos dava pra terminar duas faculdades, aprender três idiomas, maratonar a filmografia inteira da Marvel umas dez vezes e ainda sobrar tempo pra plantar uma horta. Ele gastou esse tempo carregando as sacolas de alguém que nem virava o rosto pra dizer obrigado. 😠
Sempre achei esse nível de entrega exagerado. Ele praticamente se anulava para satisfazê-la.
E para quê?
Para que, na primeira oportunidade, ela simplesmente o chutasse para fora da própria vida como se ele não tivesse importância alguma.
Lembro que, no início do relacionamento, ela sequer queria assumir que estavam juntos. Preferia mantê-lo como um segredo. Mesmo assim, ele permaneceu ali, acreditando que um dia tudo mudaria.
Nos últimos anos eles viajaram juntos, ele pagava tudo o que podia e o que não podia,e parecia genuinamente feliz. Eu realmente pensei que logo estariam morando juntos.
Mas eu estava enganada.
Depois de receber um presente romântico e cheio de carinho, ela resolveu terminar.
Dezenove anos.
Puta que pariu... dezenove anos.😳 Não consigo parar de pensar nesse número.
Ele tinha apenas vinte anos quando começaram a namorar. Uma juventude inteira pela frente, inúmeras possibilidades, e escolheu investir tudo em alguém que talvez nunca o tenha amado da mesma forma.
Me lembro quando terminei o meu último relacionamento de apenas um ano, achei que morreria de tanto chorar. Nem consigo imaginar o que alguém sente ao perder uma relação que ocupou quase duas décadas da sua vida.
Sigmund Freud descrevia o término amoroso como uma ferida narcísica. Segundo ele, sofremos porque nossa energia psíquica (libido) estava profundamente investida no outro. Quando esse vínculo acaba, é necessário um doloroso trabalho de luto para retirar essa energia e, aos poucos, direcioná-la novamente para nós mesmos e para novos afetos.
Traduzindo o Freud pro português de quem tá possesso: chorar é necessário, mas que pena que, nessa história, só um lado pagou o preço da entrega total.
Pensando nisso, lembrei de um episódio de Black Mirror. Nele, as pessoas possuem um implante capaz de acessar qualquer memória com um simples e pequeno controle remoto.
Confesso que, em dias de coração partido, essa tecnologia parece um sonho.
Imagina poder apertar um botão e apagar a pessoa da memória? Nada de lembrar mensagens antigas, viagens, músicas, fotos ou promessas. E, quando a ex aparecesse feliz com outra pessoa na sua frente, você simplesmente perguntaria:
— Desculpa... a gente se conhece?
Seria maravilhoso.
Ou talvez não.
Porque, por mais cruel que seja, a dor também faz parte daquilo que nos transforma. Ela ensina, amadurece e, principalmente, devolve para nós mesmos a energia que durante tanto tempo foi entregue a alguém.
Uma amiga sempre dizia que a melhor forma de superar um término era encontrar um novo amor.
Eu nunca consegui fazer isso.
Sempre achei que um coração quebrado precisa de tempo, silêncio, amigos, filmes ruins, comida boa, algumas lágrimas e, principalmente, muito amor-próprio antes de tentar amar outra pessoa.
No fim das contas, talvez a maior lição dos relacionamentos seja esta: amar alguém é bonito, mas desaparecer dentro desse amor nunca é.
Nenhum relacionamento deveria exigir que você deixasse de existir para manter o outro feliz.
Sinceramente se algum dia inventarem um botão ou controle remoto para apagar ex da memória, eu provavelmente vou comprar na pré-venda 😬. Mas, pensando bem... talvez sejam justamente essas cicatrizes que nos impedem de entregar o coração para quem nunca pretendeu segurá-lo de verdade.
E vocês?
Como reagem a um término?
Acham que existe um jeito certo de superar alguém?
Eu de coração espero que essa pessoa tão querida consiga seguir em frente rapidamente.
E se a então ex um dia perceber o que perdeu?
Talvez perceba. Talvez a ausência faça aquilo que a presença nunca conseguiu: mostrar o valor de quem sempre esteve ali.
Eu, sinceramente, espero que isso não aconteça. Quem despreza um amor sincero dificilmente entende seu valor enquanto o possui.
Ainda assim, somos humanos. Somos feitos de recaídas, esperança e uma estranha capacidade de acreditar que, desta vez, será diferente.
Se um reencontro acontecer, torço para que não seja uma repetição da mesma história. Que o amor deixe de ser um ato de renúncia unilateral e passe a ser uma construção compartilhada.
Afinal, um relacionamento saudável não é quando uma pessoa se anula para fazer a outra feliz. É quando duas pessoas caminham juntas, sem que nenhuma precise deixar de ser quem é para continuar sendo amada.
Hoje dói, amanhã ainda vai doer, mas tenho a impressão de que esse término foi um livramento.
Quem sabe, daqui a algum tempo, ele olhe para trás e perceba que não perdeu o amor da vida dele.
Apenas deixou para trás alguém que nunca soube enxergar o valor que ele sempre teve.


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